sexta-feira, 23 de abril de 2010

Saúde

Saúde
Campinas promove investigação de foco de leishmaniose visceral
da redação
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A Secretaria Municipal de Saúde iniciou na semana passada investigação de foco de leishmaniose visceral americana (LVA) na Vila João Jorge, região sul de Campinas. No local, foi confirmado, por meio de exames laboratoriais, um caso da doença em cão. O animal, que veio de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, residiu durante dez meses em Campinas e já foi a óbito.

A ação, promovida em 200 metros de raio a partir do endereço do animal positivo, inclui inquérito sorológico de cães (investigação canina); estudo para identificação do vetor - o mosquito Lutzomia longipalpis - (investigação entomológica) e análise ambiental (investigação ambiental). Nesta primeira semana, foram colhidas amostras para exames laboratoriais de 50 cães. O início da análise entomológica ainda será definido.

A investigação está sendo conduzida pela Vigilância em Saúde Sul e Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), com apoio do Centro de Saúde Faria Lima. Os trabalhos contam com parceria da Secretaria de Estado da Saúde, por meio da Superintendência do Controle de Endemias (Sucen), Instituto Adolfo Lutz e Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE).

A doença

A leishmaniose visceral é considerada um grave problema de saúde pública no Brasil. É de notificação compulsória, o que significa que as ocorrências têm que ser informadas às autoridades sanitárias rapidamente.

A doença está presente em 21 estados brasileiros e nos últimos anos foi registrada uma média anual de 3.357 casos humanos e 236 óbitos. No Estado de São Paulo, está presente em vários municípios.

Em Campinas, o primeiro foco com caso autóctone da doença foi registrado em novembro passado. Após esta ocorrência, houve registro de um outro foco na Vila Costa e Silva, onde não pode ser confirmada autoctonia porque o caso referia-se a um cão errante de origem desconhecida. Agora, a Secretaria de Saúde investiga este novo foco na Vila João Jorge.

Frente a esta situação epidemiológica, Campinas entrou para o grupo de cidades com transmissão canina – com casos autóctones e importados - sem transmissão humana.

Segundo o médico infectologista Rodrigo Angerami, da Vigilância em Saúde de Campinas, no Brasil, na grande maioria dos municípios nos quais a doença se tornou endêmica, a ocorrência de cães infectados geralmente precedeu a ocorrência de casos humanos. “Os cães infectados, sem a menor dúvida, se constituem um elemento fundamental na cadeia de transmissão”, diz. Entretanto, a identificação do cão infectado não implica, necessariamente, na ocorrência futura de novos casos entre a população de cães e nem no início da transmissão entre humanos.

No Estado de São Paulo, além de Campinas, há pelo menos três municípios com transmissão canina, sem transmissão entre humanos: Embu das Artes, São Pedro e Espírito Santo do Pinhal.

A leishmaniose visceral tem tratamento em humanos. No entanto, no cão, o tratamento não está indicado porque representa risco para a saúde pública. A proibição do tratamento canino está indicada na Portaria IM nº 1.426 (2008) que regulamenta o Decreto nº 51.838 (1963), dos Ministérios da Saúde e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Capacitação

Na próxima terça-feira, dia 20, no Salão Vermelho do Paço Municipal, a Secretaria de Saúde de Campinas promove capacitação sobre leishmaniose visceral americana direcionada a médicos veterinários de Campinas. O evento ocorre em dois momentos, das 14h às 16h e das 19h às 21h, com o mesmo conteúdo. Não é necessário se inscrever antes.

O evento vai contar com a participação da médica veterinária Luciana Hardt Gomes, coordenadora do Programa de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral Americana da Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde. Ela vai proferir palestra sobre o Programa de Vigilância e Controle da LVA em São Paulo.

Também fazem palestra o médico veterinário Douglas Presotto, coordenador do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Campinas; e a médica veterinária Andréa Von Zuben, da Vigilância em Saúde de Campinas.

Saiba mais

O que é a leishmaniose visceral?
A leishmaniose visceral é uma zoonose que pode afetar o homem. É infecciosa, mas não contagiosa, ou seja: não é transmitida de pessoa para pessoa. Acomete vísceras, como o fígado e o baço, podendo ocasionar aumento de volume abdominal.

Qual o agente envolvido?
É causada por protozoário da família Tripanosoma, gênero Leishmania e espécie Leishmania chagasi.

Quais os sintomas?
Os sintomas são febre e aumento do volume do fígado e do baço, emagrecimento, complicações cardíacas e circulatórias, desânimo, prostração, apatia e palidez. Pode haver tosse, diarréia, respiração acelerada, hemorragias e sinais de infecções associadas. Quando não tratada, a doença evolui podendo levar à morte até 90% dos doentes.

Como se transmite?
A LV é transmitida ao homem por meio da picada do inseto vetor conhecidos popularmente como "mosquito-palha, birigui, asa branca, tatuquira e cangalhinha" . Esses insetos têm hábitos noturnos e vespertinos, atacando o homem e os animais, principalmente no início da noite e ao amanhecer.

No Brasil, não há registro de transmissão direta de pessoa para pessoa.

Como tratar?
O SUS oferece tratamento específico e gratuito para a doença. O tratamento é feito com uso de medicamentos específicos, repouso e uma boa alimentação.

Como prevenir?
As medidas de controle são distintas e adequadas para as áreas com transmissão, como eliminação de cães infectados, controle químico do inseto transmissor e a destinação correta do lixo, entre outras medidas de higiene e conservação ambiental que evitam a proliferação do vetor. Entretanto é de fundamental importância que as medidas usualmente empregadas no controle da doença sejam realizadas de forma integrada, para que possam ser efetivas.

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Carta publicada no Jornal da Cidade de Bauru 18.4.2010
Leishmaniose tem cura


Minha filha foi para a Suíça há dois anos, e levou sua cadelinha Julie. A organização para a viagem de minha filha foi fácil, ao contrário dos procedimentos para a Julie poder entrar na Suíça. Inicialmente ela teve que receber um microship, passar por um exame veterinário e, embora tenha sempre tomado todas as vacinas em clínica veterinária, a de raiva não foi aceita. Ela teve que tomar outra anti-rábica, aguardar 30 dias e fazer o exame com contagem de anticorpos no Instituto Pasteur de São Paulo (o único laboratório brasileiro aceito pela Suíça). Só assim a Julie pôde entrar na Europa, primeiro Portugal e depois Suíça. Agora ela tem um passaporte suíço, todo vermelho, e pode viajar pela Europa. Na Suíça não tem raiva e por isso é feita toda essa prevenção. Lá também não tem leishmaniose e, embora cientes que essa doença existe no Brasil, não pediram nenhum exame de leishmaniose. Isso porque, ao contrário do que diz nosso prefeito, para os europeus, povo civilizado e desenvolvido, a leishmaniose tem tratamento e tem cura. Todos os animais doentes são tratados e não sacrificados. Se esses cães tratados continuassem sendo transmissores da doença, em uma comunidade exigente com a saúde como é a européia, como vimos com a Julie e como acompanhamos todas as exigências sobre os produtos brasileiros para serem para lá exportados, haveria tratamento, novos medicamentos e até ração específica para os cães doentes?

Como no sul da Europa tem leishmaniose e lá os cães viajam muito com seus donos, nas clínicas veterinárias da Suíça existem folhetos explicativos da doença. Um deles, que minha filha me mandou, é da Intervet e explica tudo sobre a leishmaniose visceral: o que é, como se manifesta, quais os sintomas, o tratamento, o ciclo de vida do parasita, os meios preventivos como o uso da coleira Scalibor, e também diz que a doença atinge os humanos que têm o sistema imunológico comprometido (esse folheto está em francês, e assim que for totalmente traduzido, vou postá-lo na internet).

A diferença é que na Europa os animais são respeitados e considerados parte importante do meio-ambiente, e as autoridades procuram resolver os problemas de saúde pública da melhor e mais eficiente forma possível e não “empurrar com a barriga” só para aplacar a opinião pública. Aliás, se o nosso secretário da Saúde está tão preocupado com a saúde pública, por que até agora não há o programa de vacinação animal contra a leptospirose, como ordena o artigo 37 do Decreto Estadual nº 40. 400/95: “É obrigatória a vacinação contra a raiva e leptospirose”.

A desculpa encontrada pelo CCZ para o extermínio dos cães é a leishmaniose. E quanto aos gatos? Eles não têm leishmaniose ou outras doenças que representem perigo à saúde pública. No lugar, segundo nosso prefeito, onde “ninguém gosta de sacrificar nenhum animal”, o dr. “Mengele” manda os gatos “passear”, como disse uma funcionária do CCZ aos assessores do deputado Feliciano Filho. Existe alguma explicação para isso? Por favor, explicação que seja real, verdadeira e não política “para inglês ver”?

Dinéia Rasi Baptista
http://www.jcnet. com.br/detalhe_ tribuna.php? codigo=181036

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